
A morte da Bruxa sem Calcinha...
Bem, aqui se vai a menina que sonhou, gritou, aprontou, se divertiu e finalmente amadureceu. Minha vida mudou muito, este último mês foi marcado por provas violentas a respeito de quão madura sou para enfrentar situações perigosas, tristes e de alta responsabilidade. Agora, posso me abrir e dizer o que realmente se passou comigo até hoje, como se me conhecer fosse um modo de você se despedir de mim...
Infância
Nasci em Maio de 1984. Bem, pra quem não sabe, meu pai faleceu quando eu tinha 2 anos. Ele pereceu por conta de vários tumores no cérebro, nos pulmões e na pele. Era físico e um militante muito respeitado no PT, na época das Diretas Já. Minha mãe, bem, eu nunca soube o que se passa na cabeça dela, só sei que ela saiu de casa na época em que meu pai se foi, e acabei sendo criada pelos meus avós maternos, em especial pelo meu Avô, a quem eu chamei de pai por toda vida. Em minhas vagas memórias, lembro-me de ir aos finais de semana para casa de minha mãe, ela já morava com outro homem, que sempre tentou me agradar. Minha avó, a quem chamo de mãe até hoje, me levava à Igreja dela com ela (Testemunhas de Jeová), mas eu apenas ia por não ter opção. Naquela época eu já não conseguia acreditar no cristianismo, mas isso é bem pessoal, não julgo mais os cristãos. Meus tios sempre foram como irmãos para mim. Eu fui Dama de Honra da minha tia quando eu tinha 7 anos. Ela às vezes cuidava de mim também. E meu tio, é até hoje como um confidente irmão. Ambos estão por volta dos 35 anos. Eu estudava numa ótima escola estadual, era boa aluna, e adorava meus amigos e o "Tio" do micro escolar. Mas isso acabou quando minha mãe e o marido dela decidiram me transferir para uma Escola Municipal perto da casa deles, talvez para fazer com que eu pensasse que seria melhor morar com eles por conta da distância. E foi nessa escola que aprendi a fumar, beber, bagunçar, namorar... Bem, não sou contra nada disso, mas eu tinha apenas 11 anos...
Adolescência
Bom, acabei mesmo indo morar com os dois, mas fui arrastada. Minha vida então mudara do Vinho pra Água Podre. Na casa dos meus avós eu tinha um quintal grande para brincar, um quarto só meu, um monte de animais de estimação, o carinho constante de meu "Pai-Avô", que sempre me agradava, minha avó e seus bolinhos de chuva... Já no novo "lar" eu dormia na sala, numa casa de 3 cômodos nos fundos da casa de um casal velho e rabugento. Como já disse, eu tinha 11 anos, adorava brincar, mas já estava aprendendo coisas não muito adequadas... Já fumava, ainda escondida dos dois, mas um dia minha mãe pegou e me bateu na cara. Já bebia também... Ah, meu primeiro baseado foi aos doze... As outras droguinhas, foram ao longo dos 13 e 14 anos... Eu ficava sozinha o dia todo, às vezes chegava morrendo de fome da escola e não tinha mais minha avó pra me receber com o almoço... Na maioria das vezes eu comia miojo, porque não tinha ninguém em casa mesmo... Bom, não era o fim do mundo, há aqueles que não têm nem miojo pra comer...
Sendo assim, comecei a ficar com todos os caras da rua, de todas as idades... E perdi a virgindade aos 13 anos... Aliás, como se diz por aí, todas as virgindades possíveis eu perdi aos 13... E aos 14 eu já sabia muito de sexo, e adorava transar com tudo quanto é cara... Uma vez fui ao Sul, e transei com 3 caras diferentes numa mesma estadia num hotel. Eu era uma ninfetinha muito galinha, e acho que me orgulhava disso... Gostava disso.
Fui apara uma escola particular na oitava série, e para outra no Primeiro Colegial. O marido da minha mãe é professor e me colocou nos colégios que ele dava aula, acho que ele fez essas coisas por mim para impressionar a "amada" dele.
Aos 15 anos conheci um cara, comecei a namorar ele e até me apaixonei demais da conta, mas minha “galinhice” não havia sumido, então aos sete meses de namoro, dei um tempo com ele e fiquei com outro cara. Depois quando tentei voltar com ele, ele já sabia da sacanagem que eu havia feito e não quis me perdoar. No fim, acabamos voltando a namorar. O tempo foi durante o mês de agosto e voltamos no final de setembro... E no final de outubro eu engravidei, mas só descobri no começo de novembro... Decidi não abortar, embora minha mãe quisesse, ela até me expulsou de casa duas vezes... tentamos viver juntos, mas não adiantou, ele foi digno de seu orgulho, e não suportou perdoar a traição... Nos separamos quando eu estava aos 5 meses de gravidez... Eu estava com 16 anos...
Minha bebê nasceu em Junho de 2001. Eu havia acabado de completar 17 anos. Amamentei a pequena por aproximadamente 1 ano... Morava novamente com minha mãe e o marido dela...
Mudando de Ares
Morar com aqueles dois estava um inferno. Sabem o que é sentir que você está sobrando? Eu me sentia como se eles me quisessem fora dali, que eu atrapalhava. Aliás, o próprio marido da minha mãe dava as indiretas dele, dizendo que ele saiu de casa aos 14 anos, e que acha que isso foi bom pra ele... quando brigávamos, eu ouvia sempre: "Eu sou o dono da casa", "A casa é minha", "Quando você estiver na sua casa, você pode fazer o que você quiser"... Fora as vezes que ele me provocava, eu ficava puta e minha mãe protegia a ele. É aquele típico caso, o cara estupra a enteada, e a mãe não acredita na menina e ainda a xinga de vagabunda. Ele nunca me desrespeitou neste nível, mas em outros... Foi ele que me explicou que orgasmo é uma coisa muito gostosa que a gente sente quando transa, quando eu tinha 10 anos. Eu realmente me senti constrangida nesta feita. Fora as vezes que ele vinha falar pra eu ter paciência com minha mãe porque ela estava em crise, e dizia: "Já fazem 2 meses que eu não transo com ela". Ou da vez que ele falou pra mim: "É claro que eu quero que você saia de casa, mas é pro seu próprio bem, pra você ter sua independência, também porque você e a Ana Carolina por aqui me atrapalham um pouco com a sua mãe, às vezes eu quero fazer alguma coisa com ela e vocês por aqui impedem".
Bom, foi mais ou menos neste clima que tive uma briga cotidiana com minha mãe sobre a conta telefônica e o palhaço começou a rir da minha cara. Eu fiquei puta, mas minha mãe foi protegê-lo, e encerrou dizendo: "Respeite-o, pois ELE é o dono da casa". Foi aí que eu estourei, se o meu namorado não tivesse me trancado no quarto, minha mãe iria entrar pra sair na porrada comigo, e eu não deixaria barato e estouraria a cara dela. No dia seguinte falei com meus avós e obtive a permissão de reformar a casa dos fundos para eu morar com minha filha...
Atualmente...
Bom, durante a reforma, meus avós várias vezes me deram palavras de apoio... Meu "Pai-Avô" até chorou quando eu pedi para voltar pra casa dele, dizendo que eu nunca devia ter saído daqui, que eu sempre fui uma filha pra ele...
Havíamos feito muitos planos para meu retorno. As reformas começaram em 17 de janeiro. Troquei o piso, esfreguei e pintei as paredes, ficou gracioso. Mas quase não tive fôlego para terminar.
Em 4 de fevereiro recebo um telefonema desesperado de minha avó, ela estava na Avenida Principal do bairro com meu avô, e ele estava passando muito mal, ela gritava que ele estava morrendo, mas estavam indo ao Pronto Socorro. Fiquei trêmula, ansiosa, desesperada, e 30 minutos depois recebo um segundo telefonema dizendo que meu avô acabara de falecer. Velório e enterro decorreram em Tatuí, interior de São Paulo, cidade natal dos meus avós. Retornamos a São Paulo na tarde de quinta-feira.
Bom, agora estou aqui, em minha nova casa, mobiliando-a aos poucos... Por mais que seja nos fundos na casa da minha avó, me sinto morando sozinha. Minha liberdade é maravilhosa. Mas assim que me sobrar condições, irei para minha própria casa.
Sentimentalmente, estou bem... Meu "Pai-Avô" me faz muita falta, as piadinhas, a risada, o jeito enrolado de falar, o colo paterno... Meu namorado e eu estamos muito bem, nos amando e etc... Quase não vejo mais meus amigos, ando trabalhando muito e me aproximando muito da minha filhinha. Parei de fumar e de beber. Foi uma promessa ao meu avô, já que ele estava semideformado por conta de duas cirurgias na boca para extrair 2 tumores causados pelo cigarro. O álcool eu só parei para não ter vontade de voltar ao cigarro. E me sinto muito bem assim. Mas também não estou “o tipo chata” (“pare de fumar você também”, ou coisas do gênero), apenas estou me preocupando comigo. Preciso emagrecer 12 kilos. Estou gradativamente abandonando as microssaias e as botas rebeldes... Minhas roupas estão ficando mais maduras e meus saltos mais sofisticados... Não consigo mais passar das 11 da noite acordada. Antes eu dormia às 11 da manhã.
Não, não virei evangélica, continuo bruxinha, aliás, estou passando a ser mais Bruxa, passando a me amar mais e cuidar da minha sanidade física e mental. Estou pensando em me sacrificar indo até a Universidade Livre Holística “Casa de Bruxa”, em Santo André, lá na puta que pariu, só para me aprofundar nos Mistérios Wiccanos. Estou finalmente equilibrada. Ah, sim, e com muito sexo, é claro!!!
Aqui fico, desejo todas as bênçãos dos Deuses à vocês... Obrigada por esses dois anos de companhia! Aos amigos do ICQ, sinto, eu já nem sei mais a minha senha, eu o abandonei...
Beijos
"Eu - a Donzela, a Mãe e a Anciã.
A menina que sonhou e agora está se transformando na mulher que realiza os sonhos."